Autor Tópico: Resenha do conjunto 70203 - CHI Cragger  (Lida 5766 vezes)

18 de Agosto de 2013 - 20:04:59 pm
Lida 5766 vezes

Guiler

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Resenha do conjunto 70203 - CHI Cragger


Referência: 70203
Nome: CHI Cragger
Tema: Legends of Chima
Ano de Edição: 2013
Número de Peças: 65
Preço LEGO®: 14,99 dólares (shop.lego.com)
Preço tabela no Brasil: R$79,99
Instruções:  sim (presente também no site oficial)
Adesivos: não
Minifigs: não
Modelos alternativos: combinação com o 70204, instruções disponíveis para download no site
Lista de peças: sim, nas últimas páginas do manual de instruções. Inventário no Bricklink


O pacote
       

Desde a primeira linha de 2012, os conjuntos Hero Factory (a principal linha de figuras de ação atual da Lego) do preço entre 10 e 20 dólares passaram a vir em pacotes plásticos ao invés de serem embalados em potes plásticos, tradição introduzida com a primeira linha de figuras de ação da Lego, os Throwbots de 1999. Em média, cada linha lançava um pote com design e funcionalidades diferenciadas, nos Roboriders por exemplo a tampa servia como peça para modelos de combinação, e o próprio pote, se colocado no freezer e mantido sob uma temperatura específica, revelava um código para uso no site. Nas linhas de BIONICLE, houveram também outras funções, de caráter expositivo nos Bohrok de 2002 e Rahkshi de 2003, por exemplo, ou de uso da tampa como nos Toa Metru de 2004. De forma geral, o aumento do preço e tamanho das figuras de ação de porte médio entre 2006 e 2009 coincidiu com o decrescimento de funções das embalagens, que se limitaram a um padrão de forma. A única exceção talvez tenha sido o pote dos Barraki de 2007, que embora não fosse tão 'extra-funcional', tinha um desenho diferenciado.

O set em questão, parte de uma geração recente de figuras de ação, vem nesses pacotes plásticos que á primeira vista lembram aquelas embalagens isolantes para batata palha. É necessário que se corte uma parte do pacote (e por conseguinte da ilustração na frente e verso), inclusive, para que seja aberto, mas não é inutilizável ao todo enquanto meio de guardar peças pois pode ser fechado com um sistema de lacre. Por um lado, esse corte de custos evidente pode ser um bom sinal na questão de espaço para guardar o conjunto ou peças, mas não acompanha uma esperada redução de preço, pelo contrário.

As informações tradicionalmente necessárias estão presentes na frente e verso, advertências, número de peças e etc. Há também um indício do modelo de combinação e uma pequena tirinha no verso, ilustrando a 'interatividade' entre Cragger (personagem de Legends of Chima, na forma de minifigura) e sua forma de figura de ação, 'CHI Cragger', enquanto batalha contra seu rival, Laval (cuja figura de ação é 70200). Há também uma informação com o tamanho real da cabeça da figura, vista de frente. A identidade visual é a mesma dos outros produtos de Legends of Chima, e a imagem CGI do conjunto segue a tradicional fórmula promocional, bastante chamativa e com luzes e transparências que o brinquedo não possui.

 

As peças não ficam jogadas dentro da embalagem, são divididas em três saquinhos plásticos diferentes, com exceção da peça do corpo. A cabeça e a mandíbula do Cragger vem em um saquinho apropriado.



As peças:
          

Uma vez aberto o pacote, é hora de analisar as peças.
A segunda linha de Hero Factory, lançada no primeiro semestre de 2011, deu início a um novo sistema de construção baseado em balljoints, que partindo de influências do sistema anterior, de 2006, e de sua simplificação extrema introduzida em 2008, reduziu o uso de eixos, substituindo muitos encaixes por uma série de peças novas encaixadas por balljoints. Como já fazem dois anos desde a introdução desse sistema, espera-se a mesma estagnação entre 2006-2010.

Uma característica com a introdução desse sistema é a redução de diferenças entre sets de porte pequeno e médio (definições aqui aplicadas por conta do preço, que alternam, de 2011 até agora, entre 9 a 15 dólares) em sua estrutura. Até conjuntos bem mais caros, acima dos 19 dólares, como o 6230 e 44000, mostram nenhuma diferença na sua estrutura em relação a conjuntos menores e menos caros além de um 'design aditivo'.

Por outro lado, a maior qualidade desse sistema de balljoints introduzido em 2011 é que até agora este tem suprido a má qualidade dos encaixes 'socket' (espaços para os balljoint) de 2008-2010, que eram muito mais frágeis, dificultando muitas vezes o aproveitamento em MOCs sem requerer ressarcimento de peças.

No caso do Cragger, as peças novas são sua cabeça, sua mandíbula e suas lâminas. O set também inclui uma peça de 'peitoral' com um "Chi" impresso sob uma textura (também impressa) de escamas. Outras peças bastante características são seus membros e mãos na cor Verde Oliva, nunca presentes anteriormente em qualquer figura de ação, porém de grande importância entre os conjuntos de Legends of Chima da tribo dos crocodilos.

Um detalhe importante é que ao invés de usar um grande eixo Technic para formar o corpo/apoio da lança, esse set vem com quatro peças 6538c, uma fonte bem útil e funcional que permite também uma jogabilidade mais prática, pois garante com pouco esforço que a figura segure com uma ou duas mãos sua arma. Na mesma lança, usa-se a 11272, peça lançada recentemente e bastante útil/interessante.

Outras peças com algum destaque são a sua cauda e as três armaduras que cobrem o corpo e as costas. Estão longe de alcançar o nível de detalhamento alcançado por BIONICLE até 2009, porém desempenham o papel de cobrir buracos estruturais da figura relativamente bem na sua construção.

Mas certamente o mais interessante a nível de detalhe/caracterização aqui é a sua cabeça:

 

A mandíbula é uma peça separada com encaixes que a mantém fixa em três posições de abertura.

Mesmo num longo período de desinteresse por Lego, quando soube de rumores a respeito das figuras de ação da linha Legends of Chima, já comecei a dar mais valor e atenção para este conjunto, principalmente por representar um réptil (no caso, um crocodilo) humanóide com uma lança. Esse interesse bem específico é resultado de uma longa história, pois estou há um tempo levando adiante um projeto de HQ cujo protagonista tem uma forma de réptil humanóide e sua arma também é uma lança, é uma parte do meu imaginário desde a infância distante. O personagem de Cragger se encaixou bastante com essas definições, e eu esperava que a Lego lançasse algo do gênero há pelo menos 9 anos atrás. O mais próximo disso foram os Rahkshi, linha BIONICLE de 2003.

Em termos de preço por peça, apesar de ser um dos conjuntos com mais peças de sua linha, Cragger deixaria a desejar se comparassemos, por exemplo, com o 8935, lançado sob o mesmo preço, há seis anos atrás. Não só a realidade econômica e produtiva (tanto da Lego quanto minha, hehehe) tem mudado desde então, mas também o foco de suas figuras de ação. Não há mais o primor funcional ou quantitativo de peças, ou possibilidade de customização, mas sim a caracterização de um conjunto através de 'peças chave', que no caso do Cragger, são sua cabeça, mandíbula, peças que formam a lança, a cauda, as peças em verde oliva e a composição de suas costas (esta última que deve-se mais á sua forma de construção do que ás peças em si, aliás, foi uma escolha um pouco infeliz utilizar duas 'carapaças' na cor 'Pearl Dark Gray' [conhecido por alguns como prata escuro, "gunmetal", entre outros nomes] para cobrir suas costas. Mas essa escolha define bastante a limitação das figuras de ação da Lego, não só nesse novo sistema iniciado em 2011, mas bem antes, por volta de 2008).

Enquanto o CHI Cragger não é lá essas coisas em quantidade, tem um bom valor em conteúdo.



A construção:  
 

A construção segue um padrão simples. As pernas, bastante curtas, usam das peças 98613 como extensores, e diferem dos braços somente nisso. O corpo é bastante longo, para permitir que suas costas sejam cobertas com carapaças e possibilite de certa forma que se assemelhe em algum aspecto/associação a um crocodilo (que possui um corpo longo e patas curtas). Seu corpo também tem os ombros relativamente largos/estendidos (em relação á maior parte dos conjuntos que seguem o sistema HF, mas são bem menos estendidos do que alguns BIONICLE de 2006-2009: enquanto a distância entre os ombros do Cragger é de aprox. 9 'studs', o de alguns BIONICLE de preço e tamanho semelhante, ou até mesmo bem menores, era de 11 studs). Isso é uma boa qualidade, uma vez que caso não houvesse essa distância, a peça de peitoral atrapalharia na jogabilidade, e uma vez que o conjunto tem uma lança que pode ser segurada com os dois braços, é necessária uma envergadura considerável. Não tem aquela envergadura hiperbólica de alguns BIONICLE de outrora, mas também não tem uma envergadura tão pequena que atrapalhe jogabilidade. Tem bracinhos pequenos e um corpo relativamente grande, mas pra que seguir padrões humanóides idealizados? Antropocentrismo cheio de normas excludentes já basta aquele repercutido no sistema educacional e no cotidiano.

O maior diferencial do Cragger está na cauda e no uso de peças que formam o seu pescoço. Quando o conjunto foi lançado e suas instruções disponibilizadas, eu estava receoso de que a jogabilidade de seu pescoço limitasse possíveis visões do crocodilo, mas felizmente não são tão limitadas assim. A construção é bastante rápida e sem desafios. Utilizam-se 31 dos 38 balljoints presentes na figura, tanto para articulações quanto para encaixe de 'armaduras'.

Depois de construído, eis CHI Cragger:

18 de Agosto de 2013 - 20:06:00 pm
Resposta #1

Guiler

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O "Desenho" [estética do produto final]


O produto final é bom, mas tem alguns contras. Aquela questão já referida sobre as costas terem coberturas metálicas ao invés de verdes, e ainda deixarem um espaço com encaixes de pinos Technic visíveis. Aquilo poderia ser completado de outras maneiras, até parece que o espaço foi proposital para encaixar as asas do 70205 ou 70201. E talvez os pés pretos, lembro que nas imagens preliminares do produto seriam verdes também. As lâminas também seriam mais interessantes, ao invés de terem esse desenho chapado, bem diferente dos detalhes de algumas armas de BIONICLE.

A falta de cobertura dos braços e pernas é um pouco escondida pelo fato de existirem outras partes em verde oliva pelo set, não é algo tão perturbador. O problema aí seria muito mais relacionado á possibilidade do conjunto ter mais peças do que um "problema visual" (até porque percepções estéticas são subjetivas). Pessoalmente, adquiri o conjunto principalmente pelo seu visual representativo de um réptil com uma lança. Em níveis de detalhamento poderia ser mais ornado, mas conhecendo a lógica da Lego para as figuras de ação, já está muito bom.


Jogabilidade


Como referido previamente, a lança do Cragger é composta de vários elementos que permitem a fácil transição de sua forma segurada por uma ou duas mãos. A mandíbula e a cauda também adicionam valor á jogabilidade. No total, são 22 pontos de articulação que fazem uma diferença positiva.

 

Como uma parte da lança tem duas lâminas e a outra uma só, e também por conta de sua forma, sempre a associei a uma guitarra.


Outras
Não estou muito informado a respeito da estória de Legends of Chima, apesar de saber que a tribo dos crocodilos é antagônica ao poder hegemônico da tribo dos leões, que detém a energia 'Chi', e que Cragger é o príncipe dessa tribo e maior inimigo de Laval, que busca defender seu privilégio como príncipe da ostentativa tribo dos leões. A linha das figuras de ação mostra a forma 'CHI' de cada um dos seis personagens, logo não são feitos para representá-los a partir das minifiguras. Apesar disso, acharia interessante se o conjunto viesse com uma capa vermelha rasgada como aquela que o Cragger tem na forma de minifigura. Na ausência de uma, a do 8702 cai bem:

 
CHI Cragger e CHI Razar (70205) na luta pelo fim da hegemonia do reino dos leões

E é claro, comparações com outros conjuntos de outros tempos:
 
O Rahkshi Lerahk (8589), de 2003, é um dos meus conjuntos favoritos (por isso ainda está montado) e bastante inspirador na infância. Dez anos depois, finalmente a figura de um lagarto com uma lança. É claro que, mais caro, maior e menos funcional. Mas também merece uma chance!


Cragger ataca Tahu (8534)



Conclusão
Bom conjunto pra quem gosta de figuras de ação e se diverte com isso ou quer experimentar algo novo. Tem um preço por peça não tão agradável, mas tem bom conteúdo. Recomendadíssimo pra quem tem alguma inspiração em seres míticos e répteis. Se servir de exemplo, faziam anos que eu não tinha interesse em qualquer conjunto novo da Lego.






Vejam a:
Pasta completa com fotos no Brickshelf
GUIA sobre figuras de ação Technic no Brickset


Espero que tenham aproveitado mais esta análise
Caso possuam dúvidas, críticas ou sugestão, opiniões a respeito do conjunto, ou comentários a respeito da resenha, por favor postem aqui ;)

19 de Agosto de 2013 - 01:00:13 am
Resposta #2

lcpulv

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Belíssimo Review, Guiler!

Não lembro de ter visto algo tão completo recentemente!

Parabéns!

Abraço,

Luís!

23 de Agosto de 2013 - 12:27:16 pm
Resposta #3

Guiler

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Obrigado, Luís!  :)
Como antes de ter o CHI Cragger eu não tinha nenhum conjunto de figura de ação desse 'novo sistema de construção' introduzido em 2011, eu quis explicar um pouco mais sobre as mudanças que ocorreram de lá pra cá entre as figuras de ação da Lego, e comparar com conjuntos e sistemas anteriores pra se ter ideia de que rumos a Lego está tomando.

01 de Setembro de 2013 - 14:42:00 pm
Resposta #4

Gus

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Muito bom o review.
O que eu acho legal no Cragger é a mandíbula. Dá um ar de realismo pra cabeça, diferentemente dos outros da linha.
Me lembra do Terragator da linha Transformers Beast Wars Fuzors (1998) da Hasbro:

Exceto, é claro, pelo nível de detalhamento. A Lego nunca ligou demais para isso. Nem mesmo nas figuras de ação. Todas as peças desse "novo sistema" que possuem detalhamento deixam muito a desejar. Basta comparar as lâminas desse conjunto com qualquer lâmina característica dos conjuntos BIONICLE. Há a ausência de pistões e outros detalhes.
O que, por acaso, deixa os pés da figura um tanto quanto chocantes (além deles serem pretos) para o conjunto.

01 de Setembro de 2013 - 22:15:00 pm
Resposta #5

Guiler

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A linha Beast Wars de Transformers sempre foi muito interessante! Quando foi lançada a primeira linha de Beast Wars pela Hasbro era 1996, e até aí, o uso de 'balljoints' em figuras de ação era recente, fazia um ano. Por volta desse tempo, a Lego ainda só concebia a ideia de criar uma linha de figuras de ação, e só saíram do papel em 1998/1999, através de Throwbots/Slizers. Imagino que, enquanto o lançamento de Beast Wars, pouco convencional para o público consumidor de Transformers, foi uma medida interessante para a Hasbro, deu alguma inspiração para a Lego também arriscar um pouco, seja através de Throwbots/Slizers, de RoboRiders ou até mesmo de BIONICLE.

O problema é que o arriscar da Lego parou em 2006. A partir daí, mudou-se muito pouco nos conjuntos básicos, e o preço só veio a subir, mesmo que o nível de detalhamento, último diferencial para um padrão de construção semelhante, caiu, junto a número de peças (com algumas exceções) e o pote ser substituído pelo 'saco plástico'. Há quem possa imaginar o sistema de 2011 e o fim de BIONICLE como um risco tomado pela Lego, mas foi ma mera continuação do enfraquecimento das figuras de ação que tomou forma sobretudo em 2008.

O maior problema, a meu ver, é que a Lego praticamente exterminou a parte mais interessante das figuras de ação dos últimos tempos, os veículos de batalha. É claro que os veículos sempre foram mais caros que as figuras básicas e médias, mas valiam mais a pena, se alguém procurasse por peças. Por que por características, muitxs personagens entre 2006-201X deixam a desejar. Só a linha dos Barraki, Mahri, Glatorian e Legends tinham uma coisa ou outra que faziam alguns conjuntos serem considerados personagens de fato. E os mesmos problemas daquela época continuam, a Lego continua usando muitas cores neutras não na estrutura, mas em partes mais aparentes dos conjuntos, que acaba criando um senso de repetição e cria desinteresse nxs personagens.

22 de Setembro de 2013 - 20:19:05 pm
Resposta #6

Gus

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Apostando em figuras de ação características, a Lego tinha que deixar pra trás essas peças lisas, e partir pra algo assim:

Esse é o 'Crocodile King', da série 33 de Spawn, franquia da McFarlane Toys. Esse em especial tem inspiração no deus egípcio Sobek. Mas do jeito que a coisa anda em Hero Factory, e tem andado majoritariamente assim em BIONICLE também, a Lego usa na padronização e corte de custos desculpa pra fazer todas as suas figuras serem uns robozinhos. Felizmente houveram algumas figuras BIONICLE cujos detalhes e características fugiram dessa norma, mas fazem anos que não vejo nada além de robôs nada inspiradores.

22 de Setembro de 2013 - 21:23:16 pm
Resposta #7

Guiler

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Pois é. Entre a suposta qualidade/flexibilidade/abilidade de customização que eu vejo sendo defendida pelos designers da Lego e o nível de detalhamento/caracterização que era realizado esporadicamente em figuras como 8920, 8917, 8978, 8984 e 8986, só pra citar algumas, eu acho a caracterização mais defensível ou ao menos sincera (se é que pode se esperar sinceridade nisso) no ramo das figuras de ação vendidas entre 8 a 15 dólares.

Quanto ao Crocodile King/Sobek, esse daí também foi um bom motivador para me interessar nesse conjunto. No fim, como eu já disse, foram as associações pessoais (e, porque não, lúdicas. Até mesmo nostálgicas e um pouco saudosistas, hahaha) que me trouxeram interesse/identificação com a tribo dxs crocodilos e na figura de Cragger. Além de Sobek, uma grande inspiração mítica foi desempenhada por Cipactli, criatura semelhante a um crocodilo que habitava o mar primordial na cosmologia asteca, ser de fome constante e apetite insaciável, subjulgada por Tezcatlipoca e Quetzalcoatl para dar origem á terra firme e a construção irresvalável sempre aonde se fixaria a criação. Alguns atribuem a essa fome de Cipactli e seu constante sofrimento a necessidade de manter os sacrifícios de sangue (de animais humanxs e não humanxs), porém acho mais interessante considerar que, na quinta era solar (seja de Nanahuatzin ou de Huitzilopochtli, deus da guerra, patrono verdadeiro do México [não aquela construção estrangeira e alienante da 'padroeira de guadalupe']), essa necessidade de sacrifícios fora organizada pelo próprio sol, que em meio axs deusxs criou uma hierarquia, por recusar-se a mover a não ser que se alimentasse desse sangue (que em nahuatl significa, de fato, "água sagrada" [atl-tlachinolli]). Numa perspectiva materialista, os sacrifícios realizados pela confederação Asteca e anteriormente por muitas outras sociedades relativamente próximas, habitantes da 'mesoamérica', eram meros instrumentos políticos utilitaristas (e imediatistas, eu diria) para controlar o crescimento populacional. A nossa sociedadezinha romana ocidental continua sacrificando animais não humanxs para a gula de muitxs, mas tirando isso, encontrou outra saída para o controle populacional, através da vilificação do corpo realizada pela moral cristã, e outra coisa não tão encharcada de sangue pra conter a população, que é a monogamia normativa. Mas isso é outra história.


O que interessa é que Cipactli era uma criatura que segundo alguns códices restantes, tinha nas costas uma planta com uma flor no topo crescendo, e essa planta era uma espécie de 'axis-mundi' na cosmologia asteca. O crocodilo no útero da terra e a flor no útero do céu não estavam lá pra nada, aliás, 'Cipactonal' (o símbolo de Cipactli) é o primeiro dia da contagem de 13 X 20 dias co calendário divinatório tonalpohualli, e o signo flor é o último dia. A velha história de começo e fim, além da história de que a terra (e o que está abaixo dela) e o céu (e o que está acima dele) são a mesma coisa (isso ocorre inclusive numa interpretação esotérica da oração do pai nosso).


Enfim, além de Cipactli, Sobek e tantas outras coisas, foi o valor desse desenho aqui, que eu fiz quando tinha uns nove anos (há quase dez anos atrás!!), e de toda a história que se desenvolveu através dele, que eu dei algum valor prxs crocodilos e especialmente pro 70203:


Quem conhece/lembra bem de BIONICLE, vai perceber que a lança usada pelo 'Bydurak' ('Bydu' de 'Byduchi', versão corrompida de 'Yuchilactáran', nome que eu aos meus sete anos dei para um personagem de umas mil histórias minhas, inspirado em 'Yaxchilán', uma cidade maia do período clássico tardio; e 'rak' como sufixo de Rahkshi, linha de BIONICLE lançada no ano anterior á criação de Bydurak, do qual o conjunto 8589, mostrado junto a este conjunto de dez anos á frente que foi analisado, faz parte) tem na sua lâmina um desenho muito parecido com as 'katanas' do 8567.

E o legado disso, é claro, é que eu continuo pegando inspirações do passado pra fazer meus projetos pessoais de histórias em quadrinhos e pra redigir uma mitopéia que eu tenho na cabeça, com ajuda de amigxs. Só que o nome não é mais 'Bydurak', é CUETZPALIN ("lagarto" em nahuatl) - pode se assumir que o conjunto aqui analisado, por toda a gama de associações que me apresentou, foi adquirido por motivos psicológicos hahahaha


25 de Setembro de 2013 - 01:59:36 am
Resposta #8

Firestorm

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já tinha entrado nesse tópico mas fiquei com preguiça de ler de tão grande ::)

mas agora li agora todo tópico inclusive a tua análise sobre inspirações do tema e realmente é uma aula de história e de figuras de ação lego, muito interessante
eu não sou muito entusiasta das figuras de ação mas ultimamente tenho dado uma olhada melhor nelas já que possuem varias pecas únicas, estava vendo se alguma poderia ser útil para o meu futuro moc que pretendo fazer

excelente seu review cara, um dos melhores que eu vi aqui, parabéns, da pra ver que você gosta bastante do tema  :D
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26 de Setembro de 2013 - 10:58:38 am
Resposta #9

Gus

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Tem um vídeo que mostra o Cragger em ação contra Eris 70201:

E mais outros vídeos promocionais da linha Ultrabuild de Chima

30 de Setembro de 2013 - 23:26:42 pm
Resposta #10

Guiler

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(...)
mas agora li agora todo tópico inclusive a tua análise sobre inspirações do tema e realmente é uma aula de história e de figuras de ação lego, muito interessante
eu não sou muito entusiasta das figuras de ação mas ultimamente tenho dado uma olhada melhor nelas já que possuem varias pecas únicas, estava vendo se alguma poderia ser útil para o meu futuro moc que pretendo fazer

excelente seu review cara, um dos melhores que eu vi aqui, parabéns, da pra ver que você gosta bastante do tema  :D


Valeu, Firestorm! Boa sorte com o seu MOC! Eu gosto bastante de figuras de ação da Lego, lembro quando eu tinha uns 4-5 anos, a primeira linha de figuras de ação da Lego, Throwbots/Slizers, tinha lançado. Mas nessa época eu estava mais voltado para Transformers (Beast Wars). Só que logo a linha seguinte, Roboriders, eu já completei a coleção, e continuaria com BIONICLE. Mas até 2010 muita coisa mudou, muita coisa ficou mais cara e eu mudei de visão sobre muitas figuras que eu já tinha faz tempo. Mas esse conhecimento me ajudou bastante a não comprar a última linha de BIONICLE e mais um monte de coisa relacionada a Lego por uns anos, exceto conjuntos adquiridos por segunda mão. Esse aí foi por pura associação.

Tem um vídeo que mostra o Cragger em ação contra Eris 70201:
(...)

E mais outros vídeos promocionais da linha Ultrabuild de Chima

Ficou bem engraçado esses vídeos de batalha e o comercial até, as relações entre minifigs e as figuras de ação estão bem encaixadas, mas ficou com um ar engraçado, por motivos inexplicáveis. Já na série animada, as figuras aparecem meramente em forma de silhueta da emanação do uso de CHI pelas minifigs. Eu comecei a assistir uns episódios, e só a partir do décimo é que a coisa vai ficando mais interessante e saindo daquela velha história entre bem e mal absolutos, ou daquele papo chato de 'honra, glória, ordem' e mais umas mil porcarias pró-hegemônicas, encarando a esperteza de "vilões" como atos malignos, huh. Ainda bem que as coisas estão mudando e as tribos, e principalmente alguns membros, já não têm mais associações tão fixas (alguns personagens como Eris e Laval, protagonistas, não tem muita salvação, são estereótipos pra mim). Antes eu gostava mais do discurso de apropriação da tribo dos crocodilos ou da furtividade descompromissada da tribo dos corvos, mas agora me identifico muito mais com a tribo dos lobos.